sábado, 10 de janeiro de 2015

Comum



O comum comunica sobre a tragédia. 
Ela vem mansa e disfarçadamente.
A olho nu, ninguém há que possa identifica-la. 
De repente, ela vem.

Tragicamente. E trai,
a certeza de que o comum permaneceria assim.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Ações semanais


   


O desafio de enfrentar a questão da reflexão é tão complexo quanto a própria ação. O fazer por fazer, a prática irrefletida, as ações como um fim em si mesmo, são continuamente e agressivamente questionados. A mensagem que se apregoa é: seja coerente. Suas ações precisam adequar-se aos seus saberes (reflexões). 
   
    Refletindo superficialmente sobre o meu fazer, me vejo semana após semana, tentando dar conta do trabalho, o que de fato, não consigo; e ainda me sinto ousada e errada por roubar algumas horas dele para conseguir ter a impressão que vivo além dali. Me parece,  que tornei-me aquilo que sempre questionei. Mas eram questionamentos ingênuos, sem vivência alguma, e talvez por isso já não me sinta mais culpada por ser o que antes não queria. Importa viver com o que sei agora.

     Mas o tempo passa, e incomoda-me algumas faltas que antes não faltavam. Não me faltam planos, esses tenho muitos; mas faltam sonhos. O processo de aprender a lidar diariamente com demandas reais, me submerge, me engole, e me traga, de tal modo que, até sonhar de brincadeira dá medo e parece incoerente.

     Semana após semana faço coisas sem a devida reflexão, falta tempo. Em saber que, perder tempo com reflexões poderia conduzir ao confronto entre aquilo que aceito e o que recuso. Recusando, mais tempo para refletir eu teria. Mas meus olhos aprenderam a entender tudo como oportunidade, não descarto novos inícios, mesmo que eles sejam obstáculos para outros finais. Eu mesmo me mantenho presa.

    Talvez, muito em meus olhos precisam ainda enxergar. Pois também vejo todos a minha volta, desenfreadamente, fazendo e produzindo. Todos parecem dar conta, além de que, demonstram refletir a respeito de suas práticas. A verdade é que ninguém sabe direito porque está fazendo, fingem entender, e estas demonstrações me deixam um tanto confusa e com relapsos de inferioridade, porque ou estou enganada por achar que as pessoas se enganam, ou preciso parar, definitivamente, com o costume de demonstrar fraquezas e não-saberes mais do que os demais. Tais sentimentos passam a impressão de insegurança aos olhos de quem observa, de quem julga e de quem não reflete.

     Semana após semana se torna mais difícil descrever que reflexão há por trás das tão cansativas ações semanais. E estranho não é o que eu faço por fazer, ou aquilo que por falta de tempo eu deixo de fazer, estranho é a certeza que é assim mesmo que as semanas continuam, as quais eu aceito com cada vez menos estranheza.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Conceituando a prática



(In)Determinadas época da vida, 
conhecemos e compreendemos alguns conceitos
de diferentes naturezas, 
e passamos a comparar nossas práticas 
com base no conhecimento sobre o conceito.

Entendemos, então, que muito em nós... 
não era válido, ou mesmo, verdade!

A partir dessa descoberta, nos tornamos mais céticos, 
menos ingênuos, e um tanto mais desconfiados de nós mesmos, 
por medo de sermos, novamente, 
presas da falta de conhecimento sobre aquilo que acreditamos. 

Os conceitos mostram a verdade de "quem somos", 
e o porquê de tantas experiências 
que não tiveram sucesso ou constância. 

A questão, entretanto, é que 
o conceito nos revela as mentiras em nós mesmos, 
mas não nos dá a verdade. 

Passamos então, a viver desorientados:
nem mais escravos da ingenuidade, 
e nem mais certos e confiantes de qualquer verdade.

terça-feira, 20 de março de 2012



"Estamos sozinhos em nossas escolhas,
e são nas cotidianas decisões solitárias
que a liberdade se materializa...
Descobri que liberdade é solidão".

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sincera oração


"As vezes você não me livra,
 Mas me deixa andar com minhas próprias pernas e escolhas
 para que eu descubra por mim mesmo que o erro nunca esteve em você, 
 mas na minha teimosia de querer sempre achar que estou certa.

 Você não se dobra aos meus desejos de auto-afirmação;
 Não se rende as minhas repetidas súplicas erradas;
 E resiste as minhas tantas lágrimas de menina
 só para que eu cresça".

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Despertecimento


Minha solidão não reside nos momentos em que me encontro aparentemente só.
Ficar só é coisa rara. E já não recordo quando foi a última vez que assim estive.
Mesmo sozinho, a gente fica entretido com tanta coisa.
Mas sinto falta daquela solidão que só encontro quando afasto de mim todas as ansiedades pelas coisas concretas, problemas reais e pensamentos alheios. Parece que é só nessa solidão que eu ouço a mim mesma, e percebo como está a minha alma.
Tanta coisa ocupou minha solidão...Tenho falado sobre o desenvolvimento motor do ser humano; discutido sobre Deus; estudado as políticas sociais;  mas não tenho refletido sobre nada, não me sobra tempo, forças, vontade...
Quem está vivendo em mim, eu quase não conheço mais, porque resolvi ceder. Um sopro só não faz vendaval. E só tenho acredito nisso porque não tenho mais tempo pra julgar a mim mesma; as responsabilidades da vida consumiram as minhas forças de lutar; nadar contra a correnteza; o pássaro livre que eu tanto preguei, se perdeu, já não canta mais.
Olho hoje para essas supostas liberdades que fui apegada por tanto tempo, e considero utopias. Nem mesmo reler o pequeno príncipe me fez redescobrir a criança que habita em mim. Parece que já não há mais nada que me resgate dessa realidade tão fria. Parece que já não há mais nada que me leve dinovo aquela antiga solidão... que me revestia de forças, esperanças, alegrias e coragem, mesmo que pequenas.
Talvez, a vida esteja tentando me colocar no meu lugar - deixar a meninice.
Talvez, eu nunca mais volte a ser aquela menina sonhadora.
Talvez, viver seja pura futilidade mesmo, a qual eu devo me acostumar.
E então, eu finalmente entendo que nada há de especial em mim, sou comum.
Aquela solidão que enfatizava minha singularidade não existe mais.
Ela ficou só.

 

terça-feira, 21 de junho de 2011

Auto-defesas.



Questionamento 01

Falar sobre o que eu queria dizer não é coisa fácil.
Talvez porque o que eu quero dizer é que não quero mais falar.
Mas como vou dizer isso sem palavras?

Dias atrás, desejei ser muda.
Porque entendi que todas as minhas palavras são argumentos,
que minhas conversas são sempre para defender minhas verdades,
não sei conhecer o outro sem mostrar do que estou cheia:
sejam semelhanças, preferências, críticas, diferenças... 
Nunca estou vazia! Pelo contrário,
sempre armada com minhas verdades,
com os olhos sempre bem vestidos,
por isso, desejei não mais falar.

E fiquei pensando como seria um mundo no qual as pessoas soubessem se comunicar sem precisar ter referências; fiquei imaginando conversas sem fins defensivos; sem pré-determinações.
Queria saber perguntar sem estar condicionada a supor respostas. Mas como levaria a conversa adiante, como se conversa sem defender qualquer coisa?


Questionamento 02


Hoje eu estava no trânsito com pressa.
Enquanto esperava o semáforo abrir, olhei para o semáforo da outra avenida para ver se ele demoraria a fechar, e o semáforo da rua seguinte para ver se conseguiria alcançá-lo verde quando o meu sinal abrisse.
Nesse tempo, eu poderia ter olhado para as pessoas.
Eu poderia ter ficado pensando qualquer outra coisa.
Mas porque vivo nessa pressa?
Porque deixo ocupar-me com esses prazos?
Porque não consigo enxergar claramente nas esperas?
Porque insisto em colocar a carroça na frente dos bois? Preciso lembrar que:
"se eu parar de pedalar, não vou cair da bicicleta..."

Considerações Finais
Que chão batido por mim mesmo é esse:
o de fingir que estou inconformada, mas sempre continuar andando nele...

terça-feira, 7 de junho de 2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Era

Hoje, consigo vislumbrar o futuro com base na minha realidade, e não mais em sonhos e utopias.
Hoje, estou mais lúcida, menos encantada, mais real talvez.
Já não sou o que criei, nem busco o que não está aqui.
O segredo era se desencantar para ser feliz para sempre!
Sou o meu tempo, as coisas do agora. Espantando fantasmas, enterrando monstros em caixas de fósforo (do tamanho que eles são), e enfrentando o que estava escondido por detrás dos meus olhos.
Hoje, estou escrevendo o ser humano que vejo...


quinta-feira, 28 de abril de 2011


                                                                                                                     
  Queria um fundo mais escuro, uma música mais triste, e poucas pessoas.
  Minha alegria tem um jeito estranho de querer as coisas                          
  parece que ela gosta da aparência de tristeza!