terça-feira, 20 de março de 2012



"Estamos sozinhos em nossas escolhas,
e são nas cotidianas decisões solitárias
que a liberdade se materializa...
Descobri que liberdade é solidão".

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sincera oração


"As vezes você não me livra,
 Mas me deixa andar com minhas próprias pernas e escolhas
 para que eu descubra por mim mesmo que o erro nunca esteve em você, 
 mas na minha teimosia de querer sempre achar que estou certa.

 Você não se dobra aos meus desejos de auto-afirmação;
 Não se rende as minhas repetidas súplicas erradas;
 E resiste as minhas tantas lágrimas de menina
 só para que eu cresça".

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Despertecimento


Minha solidão não reside nos momentos em que me encontro aparentemente só.
Ficar só é coisa rara. E já não recordo quando foi a última vez que assim estive.
Mesmo sozinho, a gente fica entretido com tanta coisa.
Mas sinto falta daquela solidão que só encontro quando afasto de mim todas as ansiedades pelas coisas concretas, problemas reais e pensamentos alheios. Parece que é só nessa solidão que eu ouço a mim mesma, e percebo como está a minha alma.
Tanta coisa ocupou minha solidão...Tenho falado sobre o desenvolvimento motor do ser humano; discutido sobre Deus; estudado as políticas sociais;  mas não tenho refletido sobre nada, não me sobra tempo, forças, vontade...
Quem está vivendo em mim, eu quase não conheço mais, porque resolvi ceder. Um sopro só não faz vendaval. E só tenho acredito nisso porque não tenho mais tempo pra julgar a mim mesma; as responsabilidades da vida consumiram as minhas forças de lutar; nadar contra a correnteza; o pássaro livre que eu tanto preguei, se perdeu, já não canta mais.
Olho hoje para essas supostas liberdades que fui apegada por tanto tempo, e considero utopias. Nem mesmo reler o pequeno príncipe me fez redescobrir a criança que habita em mim. Parece que já não há mais nada que me resgate dessa realidade tão fria. Parece que já não há mais nada que me leve dinovo aquela antiga solidão... que me revestia de forças, esperanças, alegrias e coragem, mesmo que pequenas.
Talvez, a vida esteja tentando me colocar no meu lugar - deixar a meninice.
Talvez, eu nunca mais volte a ser aquela menina sonhadora.
Talvez, viver seja pura futilidade mesmo, a qual eu devo me acostumar.
E então, eu finalmente entendo que nada há de especial em mim, sou comum.
Aquela solidão que enfatizava minha singularidade não existe mais.
Ela ficou só.

 

terça-feira, 21 de junho de 2011

Auto-defesas.



Questionamento 01

Falar sobre o que eu queria dizer não é coisa fácil.
Talvez porque o que eu quero dizer é que não quero mais falar.
Mas como vou dizer isso sem palavras?

Dias atrás, desejei ser muda.
Porque entendi que todas as minhas palavras são argumentos,
que minhas conversas são sempre para defender minhas verdades,
não sei conhecer o outro sem mostrar do que estou cheia:
sejam semelhanças, preferências, críticas, diferenças... 
Nunca estou vazia! Pelo contrário,
sempre armada com minhas verdades,
com os olhos sempre bem vestidos,
por isso, desejei não mais falar.

E fiquei pensando como seria um mundo no qual as pessoas soubessem se comunicar sem precisar ter referências; fiquei imaginando conversas sem fins defensivos; sem pré-determinações.
Queria saber perguntar sem estar condicionada a supor respostas. Mas como levaria a conversa adiante, como se conversa sem defender qualquer coisa?


Questionamento 02


Hoje eu estava no trânsito com pressa.
Enquanto esperava o semáforo abrir, olhei para o semáforo da outra avenida para ver se ele demoraria a fechar, e o semáforo da rua seguinte para ver se conseguiria alcançá-lo verde quando o meu sinal abrisse.
Nesse tempo, eu poderia ter olhado para as pessoas.
Eu poderia ter ficado pensando qualquer outra coisa.
Mas porque vivo nessa pressa?
Porque deixo ocupar-me com esses prazos?
Porque não consigo enxergar claramente nas esperas?
Porque insisto em colocar a carroça na frente dos bois? Preciso lembrar que:
"se eu parar de pedalar, não vou cair da bicicleta..."

Considerações Finais
Que chão batido por mim mesmo é esse:
o de fingir que estou inconformada, mas sempre continuar andando nele...

terça-feira, 7 de junho de 2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Era

Hoje, consigo vislumbrar o futuro com base na minha realidade, e não mais em sonhos e utopias.
Hoje, estou mais lúcida, menos encantada, mais real talvez.
Já não sou o que criei, nem busco o que não está aqui.
O segredo era se desencantar para ser feliz para sempre!
Sou o meu tempo, as coisas do agora. Espantando fantasmas, enterrando monstros em caixas de fósforo (do tamanho que eles são), e enfrentando o que estava escondido por detrás dos meus olhos.
Hoje, estou escrevendo o ser humano que vejo...


quinta-feira, 28 de abril de 2011


                                                                                                                     
  Queria um fundo mais escuro, uma música mais triste, e poucas pessoas.
  Minha alegria tem um jeito estranho de querer as coisas                          
  parece que ela gosta da aparência de tristeza!                                         
                                                                                                                     

      

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Verdades e valores líquidos.

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      Minha busca, assim como a da maior parte dos seres humanos, é por respostas.

     Identifico-me com as respostas trazidas pelo sociólogo Zigmunt Bauman a partir de reflexões sobre a sociedade contemporânea na qual não mais se procuram meios para alcançar os fins dos objetivos próprios, mas a vida se consome na definição dos objetivos. O sociólogo diz também que “as pessoas passam a vida em busca de um objetivo como se tivessem em mãos a solução do problema, mas encontram-se ofuscados a procura do problema”. As pessoas possuem capacidades e qualificações necessárias para alcançar qualquer fim desejado, contudo, não sabem o que desejam, não têm um alvo certo.

     No entanto, apesar da busca desenfreada por respostas que solidifiquem nossas crenças e valores, parece-me, que poucas pessoas desejam realmente obter respostas. Poucos são os que desejam ser libertos. Quanto mais a verdade se exibe a mim, mas ela me exige. Enxergar acarreta mais responsabilidades e posicionamentos que fingir procurar pela verdade. Respostas libertam, mas a liberdade custa caro. Custa mudanças. Custa desequilíbrios. E então concordo com Clarice Lispector no seu texto sobre “o medo da libertação” (1999), que retrata a prisão como um local seguro, protegido, e poucos são os que têm coragem de se desprender dessa segurança, desse sistema vazio de sentido, e se “desenformar”, vivendo fora das regras, padrões e imposições. Sennett em seu ensaio feito em 1998, disse que o sistema capitalista criou rotinas a todos os indivíduos, e que essa rotina, por mais que possa nos apequenar, ela tem o potencial de nos proteger. E parece que faz parte de nós o sentir-se protegido, mesmo que isso custe a nossa própria libertação.

     A aparente liberdade que nos é apresentada a cada dia, faz com que estejamos satisfeitos com o que nos cabe, não com o que de fato é essencial. Recordo-me assim da frase tão sincera de Antoine de Saint-Exupéry (O Pequeno Príncipe, 1943) que expressa o essencial como aquilo que é invisível aos olhos, conceito tão antagônico com nossa realidade que visa o material como meio de suprir necessidades.

     Sim. Vivemos na escravidão com a aparente sensação de sermos livres e, era essa a ameaça que desde cedo atormentava o coração dos filósofos: que as pessoas pudessem simplesmente não querer serem livres e rejeitassem a perspectiva da libertação pelas dificuldades que o exercício da liberdade pode acarretar.

     Em meio às implicações e desafios de viver na sociedade contemporânea, que preza por relações superficiais e flexíveis, em que tudo é volátil, sem consistência e estabilidade, o sociólogo Bauman apresenta essa sociedade moderna sob um aspecto líquido, sem forma fixa, pois mudaram as formas de pensar, rompendo com o tradicional e privilegiando a individualismo. Na modernidade, praticamente todos perdemos nossa solidez, adotando um tom circense frente a um público cheio de vaidades, que passam a vida a encenar com a impressão de que são os artistas principais, quando na verdade, podem ser denominados “atores sem papel”.

     É sob esse contexto que Sennett (1998) trata das atribuições que as novas relações de trabalho trouxeram para o indivíduo, e como isso alterou profundamente os valores pessoais e morais da nossa época. Em meio ao capitalismo flexível, as pessoas sofrem da dificuldade em construir caráter sólido, pois as metas já não são estabelecidas à longo prazo, não se tem tempo para consolidar relacionamentos, sendo que só podemos definir quem somos, o valor que temos na medida do tempo, dedicando tempo.

     Frente a essas novas questões, o medo é que essa geração que muda o tempo todo se esqueça da realidade a qual pertence, ficando a deriva de si mesmo. Consequentemente, o caráter humano se corrompe de forma intensa e talvez, irreversível, condenando a todos a uma existência sem sentido. Uma sociedade de discursos magníficos, mas cheia de pessoas vazias. Liberdades fingidas, falsas certezas e supostas auto-satisfações.

    Faço parte desta época, e não posso fugir dessa realidade. Também estou impregnada por esses conceitos líquidos e volúveis, embriagada de medos de não me conformar as formas desse sistema e não ser aceita pelas pessoas. Porém, finalizo do mesmo modo que Clarice Lispedtor finalizou seu texto sobre o medo da libertação:

                    “...calculo o que seria se eu perdesse totalmente o medo. O conforto da prisão
                       burguesa tantas vezes me bate no rosto. E, antes de aprender a ser livre, eu
                       agüentava – só para não ser livre” (A Descoberta do Mundo, 1999).

     Por hoje, eu não agüento.

domingo, 17 de abril de 2011

Carências...
Quais são as suas?

Impulsos...
O quanto você é movido por eles?

Justificativas...
Porque a dificuldade de se assumir?

De fato, não somos perfeitos. Não estamos prontos.
E nem somos fabricados em formas como em linhas de produção.
Somos todos humanos.

Mas não posso deixar de me lamentar
ao ver aqueles, que por não se verem,
sofrem a vida inteira das consequências de suas carências.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Gostos 

"Gosto de pessoas de espírito simples, com poucas vaidades
e que sabem assumir suas fragilidades.
 
Gosto de conversas profundas, de almas desprotegidas,
e de pessoas cujos olhos não estão vestidos com modelos impostos.
 
Gosto dos medos que conduzem ao crescimento,
das perdas que mostram as forças,
e da procura pela liberdade própria. 
 
Gosto da prática pensada, da sensibilidade na rotina
e das pequenas alegrias do dia.

Gosto dos incertos, dos talvezes,
e até dos quases, mas não gosto de inverdades.

Gosto do novo, embora desgoste do susto que ele trás,
mas gosto quando aquilo que antes assustava,
derepente se acostuma em mim.