terça-feira, 22 de setembro de 2009

A liberdade condicionada

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‘Numa terra de fugitivos aquele que anda na direção contrária parece estar fugindo.’ T.S. Eliot



Estranho. Nesse mundo em que as pessoas se envolvem no máximo de atividades possíveis para fugir delas mesmas, eu me sinto uma fugitiva também. Porque parece que só eu estou aqui me revirando do avesso para tentar me encontrar. Me identifico com essa frase, onde parece que quem está em fuga sou eu nessa terra de fugitivos cegos.
Estranho essa liberdade. Nunca conheci tal liberdade como a de hoje. Nunca tudo foi tão permitido. E nunca presenciei tantas pessoas tão presas, sem saber.
Com o tempo a gente vai aprendendo a nadar, a seguir a correnteza, esquecendo que somos pássaros. Vivemos nessa liberdade condicionada.
Somente quem já esteve preso vê a liberdade com novos olhos. Rubem Alves disse que, são as caminhadas pelo deserto que nos fazem fortes. Sim, meus desertos me fizeram forte, minha prisão foi um tempo de encontro comigo, e me lembraram que o ser humano se adapta a tudo, até fora do seu meio natural, mas que isso não muda minha natureza que é ser pássaro, que é ser livre.
A luta têm sido grande para deixar de nadar nos conceitos e "verdades" desse aquário que o mundo me coloca, me aprisiona, e reaprender a bater as asas é um processo diário, a cada nova manhã eu preciso lembrar de pensar os meus próprios pensamentos. E saber que não tenho limites, que grade nenhuma me prende mais.
E a dor que mais dói aqui em mim, não é minha luta pela sobrevivência na liberdade, mas em ver tantos pássaros em aquários, sentindo-se livres para nadar de um lado para o outro sem reconhecer que suas asas são feitas para dar vôo, sem notar que uma de suas características principais é cantar, e não há voz embaixo d'água.
E o mundo pra mim têm sido silencioso sem o canto de outros pássaros. Muitas vezes me sinto sozinha nesse céu, nessa corrida contra a rotina, o comodismo, e vez por outra la vou eu correndo na mesma direção dos fugitivos, nadando com as asas que eram para voar.
Onde você está? Que verdades têm acreditado? Que valores têm imitado?
Os pensamento de quem você têm ouvido? Será mesmo que são os seus?
Onde está a sua voz?
Pare de fugir. Seja livre.
Cantemos juntos, desafinados ou não...

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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Forma disforme.

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Quadrado, redondo, retangular, triangular.
Não quero uma forma!
Não quero ser aceita pelas pessoas. Não aceito ser da forma que o mundo me obriga a ser. Não serei moldada por ele, nem por experiências de outros, nem mesmo serei alguém por dever ou responsabilidade.
Vou negar até as últimas consequências seguir esse padrão: trabalhar só por dinheiro, sem descobrir quem eu sou e o que eu gosto, mesmo que isso custe minha vida.
Não vou me cansar de ir contra a religião até que ela liberte as pessoas ao invés de aprisioná-las. Não vou deixar de incentivar as pessoas a se questionarem e se perceberem, até que elas descubram que se desconhecem e queiram se conhecer.
Nunca vou me deixar levar pelas circunstâncias a minha volta, porque elas mudam; nem tomar decisões baseadas no medo, antes, coerentes com meus valores.
Não vou abrir mão da liberdade que encontrei em Deus e que me faz ser mais eu mesma do que nunca. Não deixarei de acreditar no amor mesmo que eu não o veja. Não vou deixar de ter fé.
A vida é tão rara, e vou gastá-la sendo aquilo que eu acredito, vivendo de uma forma disforme.
Não quero ser peças de um quebra-cabeças que o sistema determinou que deve terminar de certa forma. Quero, ao final da minha vida, que as pessoas me olhem e compreendam a beleza de uma vida incompreendida, mas com cada peça em seu lugar de um modo desproporcional.
Não incompleta... mas, incompreendida.
Me recuso a viver sob regras, minha única regra é ser sempre livre.
Sempre fora da moda.
Sempre fora de forma.

"Não se amoldem ao padrão desse mundo, mas transformem-se pela renovação de sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar  a boa, agradável e perfeita vontade de Deus."
Romanos 12:2